Sexta-feira, Outubro 13, 2006

INTERVIEW by Amauri Carboni Bitencourt

Amauri Carboni Bitencourt, é graduado em Desenho Industrial pela Universidade Federal de Santa Catarina e mestrando em Filosofia/Ufsc. Iniciou seus primeiros estudos e trabalhos em artes plásticas como auto-didata e atualmente é professor de pintura em óleo sobre tela. Suas criações estão estampadas em vários catálogos como Graphic-Art – Barcelona (Espanha); Arte&Artistas; Artistas do Vernissage vol 2, 3 e 4, e revista Consulte –arte e decoração. Com um acervo em torno de 700 peças, já possui obras em coleções particulares no Uruguai, França, Espanha, Inglaterra, Itália, Japão e, é claro, muitas cidades brasileiras. Contatos: (48) 3324-3010 e 9992-9279– amauri@artesamauri.com
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O que pode ser considerado uma obra de arte?

Em se referindo a arte clássica há alguns quesitos que devem ser preenchidos para ser considerado uma boa obra de arte. Posso citar aqui, por exemplo, a composição piramidal, a unidade e o equilíbrio, a técnica da perspectiva, o esfumato, o claro-escuro, dentre outras. Sobretudo após a Revolução Francesa houve uma significativa mudança na forma de pensar, ver e fazer arte. Assim os conceitos se multiplicaram e hoje, fica meio complicado, definir uma obra de arte ou até o que se entende por “arte”. Quando vemos nas exposições contemporâneas algumas obras que embaralham nosso olhar, causando-nos espanto e incômodos, sentimo-nos, na maioria das vezes, espectadores semi-analfabetos. Talvez algumas formas de pensar dos próprios artistas possam auxiliar no sentido, ao menos, de nos dar uma luz para a compreensão das exigências artísticas contemporâneas. A questão é que até o conceito de arte moderna e contemporânea se entrelaçam e muitas das artes que achamos ser contemporâneas são, na verdade, modernas, tão tênue é a linha que as delimitam. E vice-versa. Mas vejamos alguns conceitos: segundo Pablo Picasso (1881-1973) “Arte não é a aplicação de uma regra de beleza, mas daquilo que o instinto e o cérebro podem conceber além de qualquer regra”. Para Paul Klee (1879-1940) “A arte não reproduz o que é visível, ela torna visível”. De acordo com Marcel Duchamp (1887-1968) – um dos mais influentes artistas da arte moderna – “tudo pode ser arte desde que : 1) o artista afirme que aquilo é arte; 2) um especialista confirme o ato em texto; 3) o local onde será exposto seja conhecido por abrigar obras de arte”. Duchamp foi ao extremo sobre os conceitos de arte vigentes até então, pois colocou em uma exposição um mictório masculino (ironicamente denominado “a fonte”).



Como se lê uma pintura?

Olhar uma pintura clássica requer conhecimento de técnicas especiais que falei acima. A pintura moderna e contemporânea exige um entrelaçamento do espectador com a obra para poder dar-lhe sentido. Ou seja, olhar um quadro moderno ou contemporâneo é estar aberto para um salto no desconhecido. É ir além da simples busca visual de beleza, evocação da fé ou representação da natureza. Sem este salto não haverá entrelaçamento com a obra e esta não terá sentido. Assim, o nosso olhar se modifica, se implica, se renova e veremos mais do que um simples jogo de linhas, formas e cores; veremos, juntamente com Klee, como deixar “sonhar uma linha” ou olhando a Noiva de Duchamp perceber “um devaneio zenoniano sobre o movimento”.


Como acontece o seu processo criativo na elaboração de uma pintura?

O que tento exprimir é, a partir de estudos de alguns artistas e seus métodos criativos, re-elaborar métodos e técnicas e trilhar um caminho próprio, singular; um caminho único. Ou seja: de alguma forma sintetizo a arte de vários artistas e soltando-me nos traços, cores e formas realizo aquilo que chamamos de expressão artística ou mais precisamente, obra de arte. Assim minha arte é de fluxo e não de fixação. Alguns traços, cores e formas são pacientemente elaborados e outros, em contra-partida, são apressados da mesma forma como exige o nosso mundo pós-moderno de muita fluidez, de pressa, de gestos superficiais... Nesse sentido, o meu processo criativo tenta preencher os espaços vazios do silêncio. Espaços estes presentes nas relações, nas entrelinhas das conversas, no fluxo dos fenômenos. Como águas que fluem e nuvens que flutuam deixo-me guiar pelo processo criativo do momento presente. Para tal intento utilizo-me principalmente da pintura a óleo sobre tela e de alguns materiais de textura como pedras, juta, papel de seda, massa para modelar, dentre outros.


Como a arte pode influenciar e inspirar no desenvolvimento de um produto de moda?

Acredito que a arte se entrelaça com a moda no sentido de criação, de processo criativo. Ou seja, todo estilista é um artista. E também, de alguma forma, ao pintar um quadro temos de utilizar elementos de moda. Mesmo na mais simples vestimenta há cores e formas e isso também está presente, por exemplo, numa pintura ou escultura. Desta forma, conhecer e entender mais sobre arte, nos mais diversos movimentos artísticos e seus conceitos, será de grande utilidade para todo aquele que estiver envolvido no desenvolvimento de um produto de moda.

3 Comments:

Anonymous Bráulio said...

Muito esclarecedora a entrevista! Realmente é interessante como é importante saber ler e interpretar uma obra de arte. Qualquer leigo fica perdido ao se deparar com uma obra de arte! As vezes não sabemos avaliar o que pode ser considerado obra de arte e o que não é uma obra de arte..........

5:07 PM  
Anonymous Andréia Vale said...

Adorei suas obras, principalmente um quadro que vc pintou antúrios, maravilhoso!

2:21 PM  
Anonymous Mara said...

Parabéns pela sua tenacidade, competência e profissionalismo que repercute nos seus estudos e exposições. SUCESSO!

9:52 AM  

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