

Crise não atinge moda em Calçados
Alexandre Birnan é o criador da marca Schutz, herdeiro da Arezzo e agora parceiro do pai na Arezzo AS, empresa que engloba três poderosas marcas de calçados nacionais.
Em maio de 2007, a Schutz, de Alexandre, e a Arezzo, do pai Anderson Birman, iniciaram uma fusão, num momento em que vários fundos de investimentos direcionaram a atenção para o segmento de moda.
Em novembro de 2007, fecharam com a Tarpon All Equities, detentora de 25 % da Arezzo AS, que aglutina três marcas: Alexandre Birman, focada em calçados para o mercado de luxo internacional, Schutz e Arezzo.
Entrevista concedida para o DC:
DC – Como o setor calçadista sentiu o baque da entrada dos produtos chineses no Brasil?
Alexandre Birman– Quando se fala em sapatos e indústria calçadista, estamos falando de tênis, chuteiras, produtos de consumo em massa, que incluem sandálias vendidas a R$ 49,00 e que vêm de outros pontos da Ásia, como o Vietnã.
O segmento de moda não foi afetado, a moda muda muito conforme a estação. A schutz, por exemplo, lança oito coleções por ano. O que existe muito em SP são atacadistas chineses que fornecem mercadoria para um mercado de consumo de massa, mas que não concorrem com os produtos de moda.
DC – Sua empresa exporta para a China. Como entrar num mercado que hoje é uma potência mundial no setor calçadista?
Birman – Os chineses passaram por uma mudança cultural, intelectual e uma mudança radical no que diz respeito ao consumo.
O chinês com poder aquisitivo mais alto não quer usar produtos chineses. A Arezzo tem um projeto de expansão internacional que já começou. Temos seis lojas na China. São dez lojas no total fora do Brasil, na América do Sul e ainda na Europa.
Nós negociamos com um grupo chinês que atua no segmento de varejo, pois como o euro está muito valorizado, impossibilitando a importação dos países europeus, eles identificaram na Arezzo um bom conceito de varejo, aliado a um belo produto e que as chinesas adoram.
DC – Como o Brasil se posiciona, hoje, no mercado calçadista?
Birman – O maior crescimento do setor se deu no início dos anos de 1960. Nas últimas quatro décadas, o Brasil tem representado um relevante papel na história mundial do calçado.
Somos, atualmente, um dos mais destacados fabricantes de itens manufaturados de couro, detendo o terceiro lugar no ranking dos maiores produtores mundiais de calçados e também de couros.
Temos alguns pólos calçadistas que se destacam no país, entre eles São João Batista, o quarto em importância.
DC – O dólar baixo contribuiu para reduzir as exportações brasileiras em todos os setores. O que esperar daqui para a frente?
Birman – Realmente, como o dólar a R$ 1,60 ficava inviável competir, mas a previsão é que, a partir desta semana, o dólar comece a fechar em alta.
Pode chegar, ainda este ano, a R$ 2,00. A tendência é que exista realmente um aumento da taxa de câmbio. O dólar chegando a R$ 1,90 até 2009 temos chances de termos um crescimento de 30% em relação a 2008. Se chegar a R$ 2,00, melhor ainda.
Fonte: Diário Catarinense. Sábado, 13 de setembro de 2008. Ano 23, nº 8.180, 3ª edição. Informe Econômico página 17.