
Oskar Metsavath é dono da Osklen uma das marcas nacionais de maior sucesso internacional, com 41 lojas no Brasil e nove fora do país.
Médico por formação e estilista por opção, sereno – com um quê de contemporaneidade - , Oskar é um homem do mundo. Gaúcho, vive hoje no Rio de Janeiro, mas tem antepassados da Estônia.
E viaja muito. Refere-se a Paris, Tóquio e Nova York com a mesma naturalidade de quem fala da praia de Ipanema.
Ele faz o estilo largadão, tanto na hora de se vestir quanto em suas coleções, mas controla com rigor todos os detalhes da marca.
Abaixo veja entrevista concedida ao Diário Catarinense suplemento de Domingo Donna Dc (26 de outubro de 2008, pág. 4):
Qual o seu papel na criação da coleção da Osklen?
Eu sou o estilista. O estilista compõe o estilo de uma coleção, com os seus elementos: cores, formas, comportamento, atitudes, cheiros, luzes, imagens. Isso é estilo. As pessoas acham que estilista é quem desenha roupa. Você pode fazer um estilo de uma mesa, estilo de um prédio, de um carro, de várias coisas. Então, eu sou o estilista da Osklen e o diretor de criação. Ou seja, eu interpreto o meu próprio estilo, os meus próprios conceitos e trago a inspiração. As coleções são sempre temáticas, eu sempre trago algo do que eu experimentei ou desejei.
Quem desenha as coleções:
Eu sento junto com a minha irmã, que é artista plástica e minha referência feminina, e com a minha assistente de design, a Juliana Suassuna. O meu desenho é muito ruim. Eu me expresso e a Juliana, que é formada em moda, desenha. Nós três discutimos a tendência que estou percebendo, que estou desejando, que estou querendo. Passo o conceito da coleção e trago recortes de revistas com trabalhos de outros designers, de formas que me agradaram, referências de viagens, desenhos que eu faço, filmes que eu assisti. A partir dessa primeira reunião, eu ouço os inputs delas. Eu vejo o que elas estão querendo, o que elas acham também. A gente trabalha sob o seguinte aspecto: não é o que a gente está vendo ou que está acontecendo, e sim o que a gente está desejando usar.
Como é seu processo criativo?
Eu sou muito imagético, eu conto uma história, eu conto o meu filmezinho. Quando eu começo uma coleção eu já tenho um clima, eu tenho uma cena, meus personagens, o meu local. Eu conto essa história para a minha equipe e a gente tem que fazer o figurino desse meu filme. Durante o processo, essa história e essa imagem que eu tenho em mente vai começando a ficar concreta. Todo mundo da minha equipe tem como agregar, e eles voltam das suas pesquisas trazendo coisas que acrescentam na coleção. Se vai saindo da linha de estilo, eu vou moldando e mostrando caminho até que fique no estilo da Osklen. Eu participo de todas as etapas.
Dentre os nomes que desfilam na São Paulo Fashion Week, você é um dos poucos que não segue as tendências dos desfiles internacionais.
Com que importância você encara a tendência no seu processo criativo?
Quando eu fecho um conceito e minha equipe compra ele, a gente vai com ele até o final. Se a cor que se encaixa melhor nesse conceito é a cor da tendência, aquela que todo mundo vai usar, a gente usa do mesmo jeito. Não é que eu não vejo e não sigo tendências. Mas se eu vejo uma coisa que você está usando e me agrada, ela entra na coleção. Mas só porque é tendência, ela não entra.
Como você trabalha a sensualidade nas coleções?
Uma coisa que é bem meu estilo: as costas. Eu trabalho ela bastante. Para mim é muito mais sensual em uma mulher a região do ombro, o pescoço e o dorso, do que o colo. Eu não trabalho muito o decote nessa região. Eu acho muito american sexy. Não é o que me seduz em uma mulher. Eu gosto muito mais de uma mulher que está com uma roupa com um corte mais atlético. As costas dos meus vestidos, por exemplo, são muito parecidas com um maiô de natação. Outro corte sensual que eu tento fazer em meus vestidos é a abertura lateral. Na região do abdômen dos seios. Na coleção comercial, eu fecho um pouco mais. Mas é uma coisa que está evoluindo no meu trabalho, para não perder essa minha linha de estilo. Mas é claro que eu faço decotes, mas de uma forma que esconda um pouco mais o peito. Eu acho um horror ficar conversando com uma mulher e o olho ficar em cima do decote. Eu gosto de ser seduzido e não chamado atenção.
E as críticas?
Eu aceito crítica de tudo: se está bonito ou feio. Mas eu não aceito crítica de duas coisas. Primeiro, a Osklen é supercoerente, na loja, na campanha, no desfile, no detalhe da peça. E segundo, a originalidade. Nós somos originais. Não que eu não tire referências de estilo e design do que me agrada, isso todo mundo faz. Tirar referência, todo mundo tira. Isso não significa copiar.
Você veio da medicina e passou para o design de roupas. Como é possível não ter qualquer formação na área de moda e criar uma das marcas mais originais do país?
O médico é um grande observador. E para mim moda é expressão de comportamento. O que eu acho que sei é linguagem de moda, que é a observação do comportamento humano. Para ser criador, você tem que ter sensibilidade de captar os seus próprios momentos e o que roda em torno de você, além de transformar isso em símbolos, formas e cores. Esse é o trabalho do estilista: captar isso. A falta de formação acadêmica só me atrapalha na hora de desenhar. Acho que se eu tivesse formação, ficaria muito mais preso ao processo de design de roupas.
Crédito da imagem:
ipcdigitalFonte do texto: Jornal DC Catarinense suplemento de domingo Donna DC, SC 26 de outubro de 2008. pág. 4.
PERFIL DE OSKAR METSAVAHT
Oskar Metsavaht é diretor de criação e estilo da Osklen que hoje considerada uma das marcas brasileiras de maior reciprocidade no mercado internacional. A Osklen possui lojas no Brasil, Portugal, New York, Milão, Tóquio, Roma e Genebra, além dos showrooms na Itália, França, Espanha, Grécia, Portugal e exporta para Bélgica, Chile e Oriente Médio.
Oskar Metsavaht é membro da Associação Brasileira de Estilistas (ABEST), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e conselheiro da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit).
É fundador e presidente do Instituto e, organização não-governamental focada em promover os princípios do desenvolvimento humano sustentável. Além disso, é médico especializado em Medicina Esportiva e Reabilitação, e Cônsul Honorário da República da Estônia no Rio de Janeiro.
Fonte:
abest